Entrevista com Leopoldina Goveia, activista ambientalista

Leopoldina natural da Beira é membro do grupo de estudantes da EUM, faz também parte do grupo de jovens francófonos, AMOJOF e do movimento intelectual de jovens africanos AFRIKAWANZA. Acompanhe a nossa conversa

Cara Leopoldina, é um grande prazer tê-la como nossa a figura do mês para esta edição da palavra Franca. Antes de mais gostaríamos que nos contasse um pouco sobre si, de onde vem? Como é que veio parar ca em Maputo?

Sou Leopoldina Goveia, sou natural da Beira sou a mais velha de três irmãs, como costumo dizer sou filha da unidade nacional, meu pai é da Zambézia, a minha mãe de Inhambane e eu nasci na Beira. (risos)

Uma mistura Interessante! E como veio para em Maputo?

Foi através da Universidade, fiz a minha candidatura para UEM à partir da Beira, então tive de vir para cá por causa dos estudos, estou neste momento a viver numa residência universitária, já no meu quinto ano e a preparar a minha defesa que terá lugar na próxima semana.

Esperamos não estar a roubar lhe o tempo precioso, já agora qual é o tema?

Nada disso, o meu tema é sobre o mercado de emissões gases de efeito de estufa.

Até poderia ter feito os estudos na Beira, mais queria expandir os meus horizontes e primo sempre por uma melhor formação que possa estar ao meu alcance. A minha adaptação em Maputo não foi nada fácil a vida não é tão fácil como a gente imagina quando esta noutra província. Que até cheguei a questionar-me em regressar para casa….mais depois disse não vim para um objectivo e vou cumprir.

Como nasceu esse interesse pelo meio-ambiente?

Eu costumo dizer que nasceu do professor Carlos Serra, quando comecei a estudar a minha cadeira preferida que é o direito constitucional e sendo do grupo de estudantes de direito, nesse âmbito organizamos uma palestra sobre a regulação do ambiente sobre o ponto de vista criminal foi assim que conheci o prof. Carlos Serra
(e não sei como, surgiu-me a ideia de criar um projecto, eu era responsável por projectos na associação de estudantes. Queria trabalhar em sensibilização e consciencialização ambiental. Falei com o Prof Serra, uma pessoa muito simples e extraordinária ele apoiou me na ideia pois era algo Que existiu em tempos na UEM (precisamente há 10 anos). Assim decidimos avançar com a operação Caco e até hoje,… na faculdade já chamam-me de Carlos Serra. Risos
Mais ainda muito pequena tive educação cívica na escola, alguma base para respeitar o meio-ambiente sem muito aprofundar.

É do meio-ambiente que nasce a relação com a França e com mundo francófono?
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Sim, por acaso foi sim. No âmbito do Pró-ambiente e trabalhando com a WWF, esta encaminhou-me à Embaixada de França, precisamente ao SCAC foi justamente no ano da CPO21, a Embaixada estava a organizar uma marcha a favor do clima “Paris Clima”, colaborei e participamos nesta marcha, subsequentemente a isto também organizamos com a Embaixada hora do planeta e desta vez propus que fosse um evento aberto ao público e não institucional como se fazia.

Porque querer tronar a hora do planeta um evento aberto ao Público?

Porque este evento é o maio evento a nível mundial anti aquecimento global, abranger mais jovens e prometi sensibilizar mais jovens a participarem e voltamos a trabalhar juntos com a Embaixada de França e preparamos este evento foi um sucesso, ainda que modesto comparado com Paris, Austrália ou Africa do sul.

Então diz me é primeira e ultima edição?

Não a primeira foi em 2016, e desde là nunca paramos e vamos continuando. Este evento vai permitindo pouco a pouco ir consciencializando a sociedade como contribuir para reduzir o aquecimento global que é uma questão muito séria. Sei que a educação desempenha um papel importante na preparação do comportamento humano na sociedade, mais temos de fazer algo. Com este trabalho temos notado alguma mudança mais também resistência sobre tudo de pessoas vulneráveis. E só chegar ir até ao mangal do bairro dos pescadores e verá a situação caótica em que encontra-se o mangal. Os residentes daquele bairro por exemplo tendem a resistir à mudança de atitude. Temos ido com frequência fazer campanhas pois estão numa situação deplorável e não esta sendo facil. Eles vêm as consequências de deitarem o lixo na água, os plásticos, etc. as vezes o erro é pensar que os que não têm nada a fazer na vida é que se preocupam com o meio-ambiente. O direito ao meio-ambiente implica implicação de todos nós incluso a nível institucional.

Soube que anda a estudar o Francês?

Sim adoro a língua e também quero fazer o meu mestrado na França, em direito do ambiente, e fiquei desde então interessada. Apesar desta língua ser difícil estou a gostar deste desafio. Meu desejo é formar-me França para trabalhar nesta aérea do meio-ambiente sobre tudo no continente africano ou em Moçambique. Porque acho que o continente africano ter mais oportunidade possibilidade para escolher um modelo mais sustentável em relação aos outros que não tiveram esta opção.

Ainda no mundo da francofonia, é membro da a associação com estudantes francófonos? O que faz la?

Sou membro deste grupo há 3/4 meses. O grupo tem como foco a formação em língua francesa, cultura e cívica e eu prendendo dar outro ímpeto contribuir com a vertente cívica. O meu objectivo é outro vou deixar o grupo da faculdade e vou integrar os meus projectos cívicos e com a AMOJOFA será uma boa oportunidade.
Para além da Amojof, faço parte da Afrkiwanza, um fórum intelectual de estudantes de direito basicamente da zona sul de Africa. Fazem parte 9 países, este fórum permitem uma interacção e troca de ideias assim como um pouco de acção em varias áreas, eu trabalho com a parte do meio-ambiente.

E nos grupos que fazemos ouvir melhor e aprender coisas. O Labycitoyen o que representou para si?
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O Labcitoyen foi uma experiência fantástico, graças a Embaixada de França que pude la participar, foi a melhor experiencia que tive na vida, visitei Paris, os bairros ecológicos, e fiquei com um impacto bastante bonito. os bairros ecológicos, adorei e percebi o respeito entre as pessoas, algumas visitas eram guiadas e outras livres. Nas livres eram tão interessantes que até perdíamos o combóio de volta. O termo jardim partagé foi tão bom gostei muito. Lugares de apoio aos imigrantes ver como eles podem contribuir para a sociedade foi positivo. Pude sentir a intervenção da sociedade com o estado, foi incrível. O que se pode perceber há imigrantes a contribuírem para a economia.

Acha que se pode implementar os bairros ecológicos em Moçambique?

Fiquei impressionada com o material, tudo reciclado, o segurança das casas, o governo esta bastante implicado, a intervenção entre os grupos associativos e o estado chamou-me muita atenção. Ai percebi porque se diz que as pessoas são estado, la funciona essa teoria, algo que não sentimos ca. Ca quando levamos os projectos para aprovação das instituições, é muito difícil que sejam aceites porque não confiam a priori em nós.

Não seria falta de conhecimento?
Haaa tenho certas dúvidas, pode até ser mais penso eu seria mais de confiança e disposição, temos acesso à informação, acho que é mais de disposição.

Teria algo a acrescentar?

Huuummm alguém dizia alguém nos sentimos pequenos para resolver problemas grandes como as mudanças climáticas, e depois dizia então experimenta dormir com um mosquito e vera quem não vai dormir.

Muito obrigada Leo! Sucessos

Dernière modification : 15/09/2017

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