Entrevista com Cécile Malaplate- responsável do fundo PISCCA

Cécil Malaplate, 30 anos de Tarbes, voluntária internacional na Embaixada de França desde 2015, encarregada pela gestão do fundo PISCA (projectos inovadores de apoio à sociedade civil e coligações de actores) um mecanismo da sociedade civil moçambicana.
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Há poucos dias do fim da sua missão na Embaixada de França, pode contar-nos o que levou a escolher Moçambique como destino de trabalho? E Porque trabalhar com a sociedade civil.
(Risos) depois de 6 anos de trabalho em ONGs na América latina e um curto regresso em França, escolhi descobrir novos horizontes, tanto a nível pessoal como profissional. Este posto de VI na Embaixada de França em Maputo para encarregada de relações com a sociedade civil reunia estes dois requisitos. Juntar me ao serviço de cooperação e de acção cultural da Embaixada de França permitiu-me desenvolver uma visão mais amplia do trabalho das ONGs uma vez que a Embaixada financiava vários projectos de sectores diversificados (Governação, Direitos Humanos, empoderamento económico aos grupos vulneráveis). Tendo aprendido a língua portuguesa na América Latina, Moçambique atraiu-me bastante por ser também um país considerado da Africa Latina.
A sociedade civil é um actor chave para o desenvolvimento inclusivo. A sua visão enraizada nas diversas realidades dos países alimentando os debates sobre as escolhas da sociedade. O PISCA financia microprojectos de impacto directo no terreno graças ao dinamismo dos gestores dos projectos que são uns verdadeiros agentes da mudança.
Quais os projectos que lhe marcaram ao longo desta missão?
Os meus dois anos em Moçambique foram marcantes, em particular durante as minhas missão no terreno onde pude encontrar me com os beneficiários dos projectos cujas condições de vida são muito difíceis. Fiquei impressionada com a capacidade de resiliência das populações vulneráveis e pela sua generosidade. E também gratificante em ver como uma associação podia fazer diferença num bairro. Os eventos de sensibilização organizados pelo SCAC por ocasião do Ano do Clima (no âmbito da COP21) sendo Moçambique um país afectado pelas mudanças climáticas foi também marcante, a organização da celebração dos dias 8 de Março, dia internacional da Mulher foram momentos fortes nestes dois anos. Retenho particularmente as intervenções nas Escolas Secundárias da Província de Maputo, ao longo dos quais tivemos a oportunidade de trocar pontos de vistas com os alunos sobre diversas temáticas. E até mesmo confrontar situações graves sobre o futuro como fonte de esperança.
Algo engraçado para contar? Pelo que acaba de contar, considera que estes dois anos de positivos em Moçambique?
Sim, as vezes fui obrigada a desempenhar funções imprevistas: como verificar a qualidade dos trabalhos no terreno, visitar latrinas para ter ideia das condições, ou ainda atribuir um prémio por ocasião do Carnaval de Quelimane e como não, dançar em ocasiões culturais, são muito boas lembranças.
Penso que o trabalho de VI é importante para desenvolver laços de aproximação entre a França e Moçambique. A nível profissional aprendi muito com esta experiência “do lado dos doadores” e aproveito para agradecer o pessoal da Embaixada pela confiança que me deu nestes dois anos. Vindo do sector das ONGs, gostei muito de ter podido acompanhar os projectos das associações moçambicanas.
E quais são os desafios após esta etapa?
Saio da Embaixada mais não de Moçambique. O próximo desafio começa com o início das aulas que considero duplo desafio pois serei professora de economia no Liceu Gustave Eiffel de Maputo, e iniciarei em paralelo actividades de consultoria em gestão de projectos. É portanto uma pequena mudança e espero continuar a manter contactos com os parceiros que já encontrei ao longo destes dois anos. E estas actividades darão tempo para melhorar o meu nível de shangana.

Dernière modification : 12/07/2017

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