Entrevista Felisberto Manuel - Labcitoyen 2018

Entrevista Felisberto Manuel - Labcitoyen 2018

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Bom dia Felisberto, antes de tudo, pode apresentar-se?

Chamo-me Felisberto Silvério César Manuel, sou professor de francês como língua estrangeira no Centro Cultural Franco-Moçambicano e membro fundador da Associação Moçambicana de Jovens Francófonos (AMOJOF).

O que fez com que desejasse tornar-se professor de francês?

A minha paixão pela língua francesa data de 2009 quando estava na 9ª classe em Quelimane (Zambézia). Na altura não havia aulas de francês na minha escola. Mas, eu ouvi alguém falar francês e alguns meses depois eu decidi juntar-me ao primeiro grupo de estudantes que queria aprender francês numa biblioteca local (Biblioteca Ponto de Encontro).

Após a curta formação de dois meses que seguimos, começámos a interrogar-nos sobre o futuro da língua que acabávamos de aprender pois o francês não era uma língua muito conhecida em Quelimane, diferentemente do inglês. Então fizemos amigos e decidimos marcar encontros para praticar a língua francesa entre nós. Durante a 11ª classe, o amor pela língua francesa foi mais forte e decidi seguir a opção "letras" para continuar a aprender francês e terminei o ensino médio como o melhor aluno da escola na disciplina de francês.
Ao terminar a 12ª classe, o meu professor de francês (Wilton Antamigo) despertou-me para o potencial que eu tinha para a língua francesa e incentivou-me a investir na aprendizagem da língua francesa. Então, tomei a decisão de fazer o curso superior de ensino de francês como língua estrangeira na Universidade Eduardo Mondlane, o que me permitiu tornar-me professor de francês.

Por que razão (s) você foi à França?
Fui à França em Julho de 2018 para participar num seminário intitulado LabCitoyen, organizado pelo Instituto Francês. Centrado no tema "Educação e direitos humanos", o seminário reuniu cerca de 60 jovens de 47 países do mundo onde tive o privilégio de representar Moçambique (o único país de língua portuguesa presente no evento).
Em princípio, eu só ia estar em Paris para o seminário de nove dias mas, como a língua francesa também nos dá a oportunidade de fazer amigos no exterior, tive a oportunidade de ficar mais 15 dias para conhecer outras regiões da França e outras cidades francófonas, como Bruxelas, na Bélgica, e Spiez, na Suíça, graças ao convite de um amigo (Patrick Woerling) que conheci graças à língua francesa.

Como foi a estadia na França?
Eu tive uma estadia excepcionalmente gratificante. As sessões do LabCitoyen permitiram-me conhecer diferentes instituições francesas e organizações internacionais que trabalham em conexão com a educação, como a UNESCO e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), e isso fez com que eu compreendesse como usar o meu engajamento cívico para mobilizar os diferentes actores sociais para melhorar a educação em meu país. Além disso, os passeios e visitas que fiz após o seminário LabCitoyen propocionaram-me uma imersão linguística e intercultural pois tive a oportunidade de ver e compreender os estilos de vida dos franceses.

O que o Labcitoyen trouxe para si?

Em geral, ouvimos muito dizer que "a educação é a chave para o desenvolvimento de uma sociedade" mas não entendemos a real dimensão dessa expressão. O LabCitoyen fez-me entender por quê e como a educação traz nela a dimensão do desenvolvimento. A qualidade da educação reflecte-se na qualidade de vida dos indivíduos a partir do momento em que ajudam esses indivíduos a encontrar soluções para os seus problemas sociais.
O LabCitoyen também despertou o activismo em mim. Depois desta experiência inesquecível, decidi dedicar a minha vida a trabalhar como activista no campo da educação em Moçambique, porque estou convencido de que a solução para os problemas dos moçambicanos está na educação.

O que é que o admirou ou o surpreendeu mais?

Fiquei impressionado com a qualidade de vida dos franceses e pela sua participação na construção política da França. Ouvia falar de democracia mas não sabia como funciona, mas durante essa viagem vi como os franceses se envolvem no manejo da democracia. Foi impressionante ver a interdependência entre o poder político e o socioeconómico.
Também fiquei admirado com a qualidade das infra-estruturas, especialmente ao nível da arquitectura. Embora a maioria dos edifícios seja secular, ainda apresentam uma qualidade incrível como se tivessem sido construídos há uma década.

Quais são seus planos para o futuro?

Gostaria de continuar os meus estudos em Mestrado de "políticas educativas" para poder dar um contributo mais significativo no campo da educação em Moçambique e, ao mesmo tempo, continuarei a participar nos projectos de promoção e disseminação da língua francesa porque gostaria que outros jovens tivessem oportunidades como eu tive graças a esta língua.

Mais alguma coisa acrescentar?

Gostaria de parabenizar o Serviço de Cooperação e Acção Cultural (SCAC) da Embaixada de França em Moçambique pelos projectos de promoção da língua francesa que unem os estudantes, além de encorajar o Instituto Francês e o SCAC a prosseguirem com a criação e desenvolvimento de programas que visam proporcionar oportunidades de imersão linguística aos alunos.

Dernière modification : 09/11/2018

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