Entrevista Director CMACGM Moçambique, Laurent Demain:" Um dos meus principais objectivos, ter uma equipa de quadros Moçambicanos qualificados"

Entrevista com o Director da CMACGM Moçambique Lda, Senhor Laurent Demain Um dos meus principais objectivos, ter uma equipa de quadros Moçambicanos qualificados

Depois de uma carreira como oficial no exército, Laurent DEMAIN converteu-se para a área do transporte marítimo no grupo CMA-CGM como Director geral em Gana e de seguida em Moçambique. Prestes a deixar Moçambique para se juntar à sede do grupo CMA CGM em Marselha, tivemos a oportunidade de trocar algumas palavras.

JPEGAB: Muito obrigada Sr. Demain por ter concedido este tempo para trocarmos algumas impressões antes da sua partida. É Director Geral da CMACG em Moçambique. Há quanto tempo é que está neste país e quais eram os objectivos quando ca chegou?

LD: Muito bem, eu é que agradeço a oportunidade de concederem-me esta entrevista. Vou responder directamente à sua questão, dizendo que como me sinto em Moçambique. Eu sinto-me muito bem em Moçambique! É um País onde o acolhimento é particularmente caloroso, onde o ambiente quotidiano é muito agradável e onde eu pude efectivamente atingir os objectivos que me foram fixados. Quando eu cheguei em Julho 2014 à Moçambique o País estava em pleno crescimento, o objectivo era de implantar um sistema de organização em Moçambique capaz de fazer desenvolver a CMACGM em Moçambique.

AB: E desde quando este grupo instalou-se em Moçambique.

LD: A sociedade existe em Moçambique desde 2009, ela desenvolveu-se ao mesmo ritmo que o País, ou seja muito rapidamente. Depois de um crescimento rápido em 2009 à 2014 foi necessário fazer um ponto de situação e de implementar uma organização perene, estável em harmonia com o grupo na região e no mundo.

AB: Quer dizer que o sentimento é de satisfação e de missão cumprida!

LD: Sim, o sentimento é que nós conseguimos atingir os nossos objectivos porque mantivemos um modelo de organização que é perfeitamente coerente com o modelo de organização internacional do grupo CMACGM, e até somos desde o mês de Julho passado, responsáveis dos países vizinhos: como o Malawi, a Zâmbia e o Zimbabwe, portanto somos a direcção geral do Cluster.

AB: Será que a localização geográfica de Moçambique tem alguma importância nesta escolha?

LD: Sim claro, Moçambique é um país que graças à sua frente marítima e à via de acesso ao mar para o Zimbabwe, o Malawi, a Zâmbia portanto a maioria dos volumes para estes países são transportados pelos portos de Moçambique em particular o da Beira e o de Nacala.

AB: Quer dizer que o Grupo CMACGM tem representação na Beira, Nacala e Nampula?

LD: Sim a sede da agência marítima CMACGM-Mozambique esta em Maputo e nós temos uma representação como é evidente na Beira e em Nacala, onde se encontram os nossos principais clientes.

AB: Sr. Demain, em relação à instabilidade politica e económica? Será que não foram uma ameaça para a CMACGM? Uma vez que na zona centro encontram-se os vossos maiores clientes?

LD: A instabilidade política não directamente porque era sobre tudo na zona centro do País onde haviam alguns incidentes. Não, não chegámos a sofrer com excepção de algumas vez entre 2015 et 2016, mais de uma maneira geral desde o anúncio das trevas tudo está a correr muito bem.

AB: Então teve algum impacto no fluxo com o Zimbabwe, Malawi à partir de Beira?

LD: Não sofremos na verdade 2 ou 3 incidentes no total da minha estadia em Moçambique o que é muito pouco, podemos dizer também que não.
Agora no que diz respeito à situação económica, sim claro, porque todos nós sofremos o que traduziu-se no baixo nível de importação, no baixo fluxo de volumes, mais foi em parte compensado porque alimentámos os países limítrofes, o que faz com que por mais que tínhamos um baixo volume de importações em Moçambique a nossa actividade manteve-se de maneira satisfatória. Aproveitámos também deste retrocesso nacional para fazer uma reorganização interna profunda de maneira a implementar uma melhor qualidade de serviços para os nosso clientes, melhoramos os procedimentos internos tanto no domínio financeiro assim como logístico. Tudo foi feito para poder enfrentar o fluxo de volumes superiores no momento em que a situações seja favorável ao desenvolvimento. Neste momento já estamos prontos para absorver volumes superiores.

AB: Quer dizer que estão prestes a enfrentar os vossos concorrentes em Moçambique? Eles são muitos?

LD: Sim claro, temos a MSC, MEARSK, PIL e MESSINA que são os principais grupos concorrentes. Nós trabalhamos muito na qualidade e na relação com os clientes. O nosso serviço cliente, é muito apreciado. Também introduzimos novos serviços marítimos em Dezembro que liga-nos à India, ao Meio Oriente e à Europa. Estes serviços funcionam muito bem. Irão permitir aumentar a nossa quota no mercado sobre tudo nestas regiões. A concorrência não, não, temos medo! E talvez seja uma motivação para fazer mais e melhor. Para nos é normal, o nosso objectivo é manter a nossa posição, a segunda na quota do transporte marítimo em Moçambique.

AB: Quais são os serviços oferecidos pela CMACGM em Moçambique? Em que estes se diferenciam dos outros? E quais as perspectivas do grupo na região.

LD: Nós trabalhamos basicamente a parte marítima. Sou também representante do grupo CMACGM em Moçambique e desenvolvemos actividades logísticas. Foi assim que abrimos a empresa CCIS Beira Lda. Na Beira que é um depósito logístico com galpões que fornecem soluções logísticas terrestres, o que implica, armazenamento, e transporte rodoviário de contentores e de mercadorias. Nós gostaríamos também de desenvolver a logística em Nacala assim que tivermos as condições necessárias. Uma vez que Moçambique está situado idealmente no canal de Moçambique, este país pode tornar-se um hub regional de maneira a receber a mercadoria e de seguida encaminhar para os países do interlad e até mesmo para a região setentrional da Africa do Sul. Para esta parte o Porto de Maputo está muito bem situado para fazer a ligação com a região de Joanesburgo com o mar.
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AB: Para além de ser Director da CMACGM, é Conselheiro do comércio exterior para a França e Presidente do Clube de Negócios França-Moçambique, acha que Moçambique é um país para investir? Quais seriam os sectores chaves?

Sim fui investido nas relações entre a França e Moçambique por via do Clube de Negócios França-Moçambique como Presidente. Ocupei sucessivamente os cargos de secretário-geral, de vice-presidente e Presidente. Sempre com objectivo de fazer crescer este clube de maneria a atingir o estatuto de câmara de comércio até 2018. E é o que vai acontecer em Junho de 2018. Nós temos 72 membros e partimos do nada há dois anos. O clube goza de uma notoriedade perfeitamente reconhecida. Foi um belo objectivo que foi atingido particularmente graças à implicação geral da direcção do clube de negócios. Sou também Presidente da associação das linhas marítimas em Moçambique. Graças a esta função espero ter contribuído na divulgação da França.

AB: E em relação aos investimentos?
LD: Sinceramente penso que sim, é preciso que as condições estejam reunidas como é óbvio. Moçambique tem potencial, a sua localização, os seus recursos naturais, a sua frente marítima, realmente existe um forte potencial. Bom, você conhece bem a situação do País assim como eu, os investimentos retomarão assim que as condições forem propícias, mais sim acredito firmemente que há um futuro neste país. Não posso falar dos sectores que não conheço, mais o sector da logística sim. Ai tenho a certeza, tudo que é relativo o transporte marítimo é prometedor, as linhas férreas, e rodoviárias, o armazenamento, todas as actividades logísticas, tenho a certeza.

AB: No momento da sua partida, o que aprendeu deste país? Arrepende-se de alguma coisa?

LD: Como sabe, sempre aprendemos alguma coisa, sobretudo num país como Moçambique. Continuei a cultivar a paciência apesar de já ter passado por isto no meu passado noutros países africanos. E apenas desenvolvi o meu sentido de obstinação, quer dizer nunca abandonar por mais que seja difícil sempre conseguimos obter um resultado com a condição de ser pacientes usando a pedagogia e a perseverança. O que também aprendi neste país é a possibilidade de encontrar quadros de grande qualidade. Este foi um dos meus principais objectivos, de ter uma equipa de quadros Moçambicanos qualificados. Consegui para o posto de Director Geral será confiado a uma moçambicana após a minha partida. Estou particularmente orgulhoso porque quando temos uma pessoa de qualidade e de grande confiança, é gratificante passar-lhe o testemunho. Estou realmente orgulhoso.

AB: Arrependimentos

LD: Ehhh imagina que não tenho necessariamente porque em relação ao plano pessoal, profissional e familiar fui muito feliz neste país. A pena seria partir um pouco cedo, quando podíamos ficar mais um tempo, mais o dever nos chama e temos de ir. A directora geral que vai suceder-me é uma colaboradora com quem trabalhei mais de 3 anos o que será uma continuidade. O mesmo para a passagem do club de Negócios para a Camara de comércio, tudo já foi feito.
Deixar a Africa é uma pena!

AB: Teria alguma coisa a acrescentar?

LD: Como já tinha dito, satisfação por ter constituído uma equipa de quadros e de trabalhadores sólidos.

AB: Muito obrigada mais uma vez e sucessos nas suas novas funções!

por Angela Bié

Dernière modification : 26/01/2018

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