Discurso do dia 14 de Julho de 2014.

Discurso do dia 14 de Julho de 2014.

Sr. Ministro da Planificação e Desenvolvimento,
Caros amigos do corpo diplomático
Senhoras e Senhores Representantes das autoridades moçambicanas,
Caros amigos da Embaixada de França,
Meus Caros compatriotas,

É com um grande prazer que os acolho uma vez mais na Residência de França pelo 14 de Julho, dia da nossa festa nacional.
A França é um país surpreendente e os símbolos do 14 de Julho são bons exemplos de uma certa especificidade francesa.
Tomemos por exemplo o momento mais emblemático de cada 14 de Julho para os franceses: o desfile militar ; a imprensa estrangeira, a cada ano, fica sempre surpreendida por este exercício que corresponde tão pouco à imagem de uma democracia. Mas, o que fazer? Os franceses gostam das suas forças armadas.
Tomemos por exemplo o nosso hino nacional, a Marselhesa, que acabámos de ouvir, tocada pela guarda republicana. Esse hino foi entoado pela primeira vez em 1792 pelas Forças Armadas do Rhin em Estrasburgo quando a França procurava defender a sua revolução contra o conjunto das monarquias europeias. Para alguns, é um canto de guerra violento e belicoso. Para outros, é um canto patriótico de amor ao país e à Pátria. A única certeza é que ele se destaca em relação à maioria dos hinos nacionais das democracias.
Tomemos por fim por exemplo do próprio dia 14 de Julho: este dia não corresponde nem a uma comemoração de independência, nem a um aniversário de um soberano, nem tão pouco a um dia de mudança política ou a uma mudança durável e de regime. É certo que os anos 1789 e 1790 abriram o caminho para a criação da República, mas esta escreveu, nos anos que se seguiram, as suas mais belas páginas (a declaração universal dos direitos humanos e do cidadão) e também as suas piores páginas (o período chamado o Terror). Desde então, tudo experimentámos e reexperimentámos com cinco repúblicas, dois impérios e dois retornos à monarquia com 3 (três) reis de duas dinastias diferentes. Então, muitas outras datas poderiam ter sido escolhidas para o dia da Festa Nacional e no entanto foi este dia quase que trivial de 14 de Julho de 1789 que foi escolhido.
Difícil compreender e explicar tudo isso, até mesmo para os meus compatriotas, mas é a nossa “excepção cultural”. Uma coisa é certa. Nós tirámos da nossa história uma dupla lição, que as duas guerras mundiais confirmaram no sangue :
- a democracia é um bem frágil e inestimável que cabe a cada cidadão defendê-la, qualquer que seja o seu lugar na sociedade.
- face à história, qualquer povo, qualquer nação deve ser modesta. Não há nada que seja adquirido definitivamente.
Nós esperamos sobretudo que os erros cometidos por nações mais antigas, como a França, possam ser evitados pelas nações mais jovens, como Moçambique.
Desde o nosso último 14 de Julho, a França e Moçambique desenvolveram ainda mais as suas relações. Não vou aqui apresentar um catálogo entediante e pretensioso. Os senhores poderiam ver nisso uma nova marca da nossa arrogância legendária.
Todavia, devo citar o encontro em Paris dos nossos dois Presidentes, em Setembro de 2013, ois foi um momento importante. É claro que quando dois chefes de Estado se encontram, é sempre um momento importante. Mas esse encontro aconteceu após um longo silêncio. Por conseguinte, as orientações dadas pelos nossos dois Presidentes à nossa relação bilateral ganham um valor particular.
Cito então as duas mais importantes:
-  O desenvolvimento das relações económicas e de cooperação : o mesmo está em curso com a reabertura do serviço económico da Embaixada, a multiplicação das missões sectoriais e generalistas das empresas francesas, a participação mas frequente dessas empresas nos concursos, a vinda a Moçambique em Março último da Ministra do Comércio Externo.
-  a segunda orientação é o desenvolvimento da nossa cooperação, em particular no canal de Moçambique. Os nossos dois presidentes desejaram com efeito tirar todas as vantagens da nossa vizinhança marítima e regional graças à Ilha Reunião, Mayotte e as Ilhas Esparsas. Do mesmo modo, esta embaixada organizou (e continua a organizar) com parceiros moçambicanos, ateliers e seminários sobre o tema do mar em geral e sobre o Canal de Moçambique em particular. A França é um país do Oceano Indico, onde ela está territorialmente presente. Nós temos portanto com Moçambique, nessa região, interesses comuns e nós devemos lutar juntos contra os perigos que ameaçam a ambos (pirataria, pesca ilegal, poluição, tráficos de todos os géneros etc.).
A esse respeito, a França constata com satisfação a vontade manifestada pelo Governo moçambicano de se dotar das capacidades técnicas necessárias para defender e explorar os recursos económicos da sua zona marítima. A França apoia essa escolha.
Evidentemente, essas duas prioridades não são exclusivas e a nossa acção em favor do francês, a nossa ajuda orçamental global, a nossa cooperação descentralizada, a que a é feita em favor da governação, das infra-estruturas, a nossa cooperação universitária assim como nossa acção em favor da diversidade cultural, prosseguem-se através da AFD, do Serviço de Cooperação e de Acção Cultural, do CCFM e da Escola Francesa, que se tornará em breve o Liceu Gustave Eiffel, graças às obras de extensão empreendidas há algumas semanas e deverão terminar em Setembro de 2015.
Caros amigos Moçambicanos, antes de terminar dirigindo-me aos meus compatriotas, não posso calar a preocupação francesa face à situação no país. O ano de 2014, com as eleições de 15 de Outubro, é um ano muito importante para Moçambique. As mudanças vão naturalmente acontecer e elas devem ocorrer num clima político e de segurança pacíficos. A França vê, com bastante inquietação, o prosseguimento de incidentes armados entre a Renamo e as forças governamentais, incidentes cujas vítimas são muitas vezes civis inocentes que se encontravam no lugar errado no momento errado. Os efeitos económicos dessa situação não devem ser minimizados pois eles são importantes para a região afectada mas também para todo o país. Para além disso a imagem de Moçambique poderia mudar rapidamente junto dos investidores. Todos os moçambicanos tornar-se-iam então vítimas directas dessa situação.
A França espera pois que a razão vença rapidamente. Numa democracia, o governo está ao serviço da população, os partidos políticos estão ao serviço do povo assim como os homens políticos dos quais as únicas palavras de ordem devem ser progresso social, bem-estar da população, segurança para todos, respeito do direito. A França não pode apoiar nenhum partido político que considere a acção armada como um modo de expressão política ou a divisão do país como solução para confrontos de interesse. Os moçambicanos merecem o progresso, um desenvolvimento que beneficie a todos, eles pedem e merecem antes de tudo a paz. Eis o desafio deste ano de 2014 para Moçambique e a solução está entre as mãos dos homens políticos, de todos os partidos e funções. A França deseja boa sorte ao povo moçambicano.
Permita-me, Sr. Ministro, dirigir algumas palavras aos meus compatriotas……

Brinde
« à saúde de Sua Excelência Presidente Armando Emílio Guebuza
e à saúde de Son Excellence le Président François Hollande ».
Obrigado.

Dernière modification : 15/07/2014

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