Discurso do Senhor Embaixador por ocasião do dia Nacional da França

Discurso do dia 14 de Julho de 2013

Sua Excelência Senhora Ministra da Justiça,
Monsieur le Premier Ministre Michel Rocard
Senhoras e Senhores Membros do Corpo Diplomático
Senhoras e Senhores representantes das autoridades moçambicanas
Chers compatriotes
Comemoramos hoje o nosso dia Nacional, 14 de Julho, com dois dias de antecedência. Quero desde já explicar aos nossos compatriotas que desejam ser fiéis a esta data emblemática que é o dia 14 de Julho: a antecipação deve-se a constrangimentos locais que obrigaram a Embaixada a antecipar de dois dias esta celebração. No próximo ano poderemos retomar a tradição.
14 de Julho : um dia símbolo, que se tornou Festa nacional desde 1880, pela vontade da Terceira República após um debate acalorado e passional como o nosso país tão bem o sabe fazer: alguns defendiam a referência ao dia 14 de Julho de 1789, dia da tomada da Bastilha em Paris, data emblemática dos inícios da Revolução, mas também data sangrenta e violenta. Outros defendiam a referência ao dia 14 de Julho de 1790, dia da Festa da Federação, momento da Unidade do país acima das suas diferenças sociais e políticas, dia em que o Rei usou pela primeira vez a insígnia azul, branco, vermelho, côres emblemáticas da futura República.
Foram ainda necessárias várias provas no decurso da nossa história até que a unidade do nosso país e dos franceses se concretizasse. Ela está agora estabelecida mas, essas provas, pelo menos ensinaram-nos que a unidade se constrói a cada dia e que ela resulta de uma vontade política sem falhas. A unidade, para durar, exige concessões e o respeito pelo outro. É uma lição que nós aprendemos de forma dura, e se ela puder servir para os outros para avançarem mais rápido e saltarem etapas, ainda bem.
Senhora Ministra,
Faz agora 10 meses que ocupei as minhas funções em Moçambique. A cada dia apercebo-me um pouco mais da honra que me foi dada quando o Presidente da República nomeou-me para as funções de Embaixador junto da República de Moçambique.
Moçambique e a França são parceiros de longa data. Nós estamos presentes em Maputo desde a independência do seu país, que nós acompanhámos, junto com outros europeus, ao longo dos seus primeiros anos, que foram difíceis. E nós continuamos aqui hoje, mesmo se a crise económica que a Europa atravessa obriga-nos a comprimir o nosso dispositivo diplomático em outros países.
A França crê no desenvolvimento de Moçambique. Ela deseja contribuir para o mesmo, tal como o tem feito desde a independência. Nós não somos um parceiro de primeiro plano, outros parceiros estão mais presentes do que nós, outros ainda são mais activos em certos sectores - temos consciência disso - mas nós somos fiéis.
O primeiro combate que queremos levar a cabo aqui, ao lado das autoridades moçambicanas, é o da luta contra a pobreza: saúde, educação, justiça, desenvolvimento social, são sectores onde estamos presentes. Estamos igualmente presentes no sector da energia, em particular para o transporte da energia eléctrica, elemento indispensável na melhoria da vida nas cidades e no campo. A água parece-nos ser um outro bem público mundial que deve chegar a cada casa para permitir o desenvolvimento ; aí também, a nossa cooperação intervém só ou com outros parceiros. O património natural do seu país deve ser defendido e gerido de maneira sustentável. Nós ajudamos o governo moçambicano nessa tarefa.
Para o futuro próximo, estamos já a trabalhar com as autoridades moçambicanas para desenvolver a nossa cooperação nos sectores agrícolas tais como a pesca artesanal ou na área financeira da renda proveniente das indústrias extractivas. Prosseguimos igualmente com a nossa ajuda orçamental directa ao orçamento do Estado moçambicano.
E também, não podemos esquecer-nos que o nosso país reserva para cultura um lugar à parte que não pode ser confundido com o de um bem de consumo normal. É a excepção cultural. Nesse capítulo, o Centro cultural franco-moçambicano em estreita ligação com o Ministério moçambicano da Cultura e a Embaixada, o demonstra a cada dia, pelas suas actividades culturais tais como, recentemente, a Festa da Música.
O CCFM promove uma nova política de debate de ideias como por exemplo o debate sobre a responsabilidade social empresarial ou, ainda ontem, o debate sobre a crise económica com a Sra. Luísa Diogo e o Sr. Michel Rocard. Temos já ideias para a próxima estação.
Nós reservamos igualmente um lugar importante à língua desenvolvendo com a ajuda das autoridades moçambicanas o ensino de francês, garantia de relações mais estreitas com toda a África francófona ainda pouco presente em Moçambique, e com o mundo da Francofonia.

Senhora Ministra,
De maneira geral, a França apoia qualquer acção no sentido de um desenvolvimento inclusivo, para que ninguém fique à beira da estrada do progresso e do viver melhor. A França apoia qualquer desenvolvimento com vista a mais democracia, pois nesse domínio, sempre se pode fazer melhor.
A França é também um Estado do Oceano Indico graças aos seus Departamentos Ultramarinos, igualmente territórios ultramarinos da União Europeia, que são as Ilhas da Reunião e de Mayotte e congratulo-me em constatar o interesse crescente dessas partes da França por Moçambique em particular na vertente económica mas também nas vertentes cultural e histórica. Uma das minhas tarefas, e sem dúvida uma das que mais me entusiasma, é a de desenvolver ainda mais essas relações. A França é também vizinha marítima de Moçambique através de algumas ilhas dispersas no Canal de Moçambique o que leva a que as questões de segurança marítima e de liberdade no tráfico marítimo, de luta contra a pirataria, a pesca ilegal e contra as poluições marinhas devam ser tratadas conjuntamente.
Contentar-me-ei, para terminar, em lembrar o interesse muito forte das empresas francesas pelo seu país, a julgar pela multiplicação das visitas por elas efectuadas este ano a Moçambique e as que estão por vir. Agradeço às autoridades moçambicanas pelo acolhimento que lhes foi reservado e à CTA e ao CPI pelo seu envolvimento em cada uma dessas visitas. Os primeiros resultados concretos vão chegar mas devemos trabalhar ainda para que o clima de negócios seja melhorado. A presença do meu país no seio do G19, aqui, e de todas as grandes organizações internacionais com vocação económica é ainda mais importante. A França é igualmente membro fundador da União Europeia e é do conhecimento da Senhora Ministra, o peso deste país nas decisões tomadas por essa organização que continua a ser um doador essencial em Moçambique.
Certamente que o governo moçambicano estima que as relações políticas não estão ao mesmo nível. O posicionamento é o mesmo em Paris mas os últimos meses foram bastante activos para França em África: intervenção no Mali e a elaboração progressiva de uma solução para esse país ameaçado na sua integridade e na sua independência, por grupos terroristas ; multiplicação das crises com os encontros no Conselho de Segurança do qual a França é um membro permanente (Mali, RDC, Sudão, República Centro-africana), o 50° - quinquagésimo aniversário da União Africana no qual o Presidente Hollande participou. Espero que o Presidente Guebuza possa deslocar-se à Paris em Dezembro próximo, para a Cimeira África-França sobre a segurança e as relações económicas, para a qual foi convidado pelo Presidente Hollande.
Senhora Ministra, antes de passar a palavra, com a sua permissão, ao Sr. Michel Rocard, antigo Primeiro Ministro, desejo dizer-lhe que a França segue com grande atenção o que está a acontecer no seu país e que ela formula o voto que as forças políticas deste país sigam a sabedoria do povo moçambicano que deseja a paz. Assim, o seu país continuará a ser o único exemplo de país de África onde um acordo de paz assinado em 1992 pondo fim a terríveis acontecimentos, continua a ser sinónimo de paz e de desenvolvimento para todos.
Maintenant, mes chers compatriotes, je cède la place à M. Michel Rocard qui nous fait l’honneur et l’amitié d’être avec nous aujourd’hui et qui souhaite vous dire quelques mots. Retomarei a palavra em seguida para um brinde e para convidar a Senhora Benvinda Levi, Ministra da Justiça, a tomar a palavra.
Quero agora propôr um brinde:
« à Saúde de Sua Excelência Presidente Armando Emílio Guebuza
e à Saúde de Son Excellence le Président François Hollande ».

Dernière modification : 15/07/2013

Haut de page