Discurso de S. Excia Senhor Embaixador de França Inauguração da livraria francófona Minerva no CCFM

Sua Excelência Senhor Ministro,
Senhoras e Senhores
Caros colegas, membros do corpo diplomático e representantes das organizações internacionais,
Senhor Director da livraria Minerva,
Senhoras e senhores,
A França sempre foi uma terra de escritores. Aos apaixonados pelas palavras foi sempre concedido um lugar privilegiado: aos poetas, filósofos, ensaístas, romancistas, novelistas, polemistas, … de Villon a Aragon, de Montaigne a Prévert, todas as escolas literárias encontraram nela um terreno fértil. Clássico, romântico, realista, surrealista, existencialista…..a literatura francesa trouxe e continua a trazer uma contribuição essencial ao enriquecimento do espírito humano e deixa a sua marca no mundo contemporâneo.
Quem não conhece Jean-Jacques Rousseau, Voltaire, Victor Hugo, Flaubert, Baudelaire, Camus, Sartre, Simone de Beauvoir, Saint-Exupéry e todos esses escritores cujo talento ou génio ilumina o pensamento. Mas, para além dos seus escritores franceses, o mundo do livro beneficia-se igualmente dessa riqueza incomensurável que são os escritores estrangeiros francófonos ou da língua francesa: como não evocar aqui Léopold Segar Senghor, por exemplo, pelos seus poemas e as suas escritas politicas que magnificaram um momento da História do continente africano.
O livro é assim parte integrante do património cultural francês ao mesmo título que a gastronomia, a moda ou a arquitectura. É um produto profundamente enraizado na tradição do pensamento francês, um instrumento que participa da excepção cultural francesa, um vector que promove a diversidade cultural, cara aos países que possuem uma memória da Historia e que desejem enraizar na sua cultura ancestral as fundações do seu futuro.
Em Maputo, se era possível encontrar por acaso, alguns raros livros, era todavia impensável poder-se vir a descobrir – um pouco como um tesouro - os prazeres da língua francesa e das suas subtilezas num espaço repleto de livros, numa livraria
A escolha era contida, limitada e orientada. Doravante, vamos dispor de uma verdadeira livraria à francesa. Congratulo-me e estou muito feliz em participar hoje na inauguração da primeira livraria francófona em Maputo, espaço este dedicado aos livros de língua francesa, instalado no seio do Centro Cultural Franco-Moçambicano, estabelecimento cultural bi-nacional no qual partilhamos, Senhor Ministro, a tutela.
Foi, em suma, uma verdadeira aventura.
Lembro-me, há mais de um ano, quando o Director do CCFM veio propor-me a organização de uma exposição-venda de livros de língua francesa, tendo já em mente essa ideia de perenizar essa actividade no seio de uma livraria. Aderi imediatamente de tanto que esse projecto me parecia evidente. Evidente porque correspondia a pedidos que numerosos moçambicanos francófonos e francófilos não cessavam de evocar a cada um dos nossos encontros.
O director organizou, com o apoio financeiro da Embaixada de França, a vinda de dois especialistas franceses do livro, que possuem uma livraria em Paris. Eles vieram animar esse evento, avaliar se o projecto era economicamente viável e ver como seria possível concretizar essa aventura. Tenho pois a agradecer ao Senhor COLLET e à Senhora WADE pelo apoio constante e o entusiasmo de ambos que permitiu ultrapassar vários obstáculos.
Graças a eles, instalou-se naturalmente uma aproximação com o director da mais antiga das livrarias de Maputo, a Livraria Minerva. Verdadeira instituição moçambicana, esta livraria de tradição estava também à procura de novos desafios culturais e económicos. Esse encontro permite-nos hoje inaugurar a primeira livraria de língua francesa em Maputo. Queria igualmente agradecer ao director da Minerva pelo seu espírito de iniciativa, pela sua coragem e pelo seu envolvimento pessoal ao longo de todo esse processo de criação.
Devo igualmente sublinhar o papel preponderante do Centro Nacional do Livro, estabelecimento francês que apoia todas as iniciativas em favor da promoção e divulgação do livro. A sua contribuição financeira sublinha a importância que França dá à defesa do acesso ao saber e mais especificamente à promoção do livro de língua francesa.
Senhor Ministro,
Esta nova livraria é uma realização assinalável a mais de um título:
Em primeiro lugar, ela vai alargar a oferta do Centro Cultural Franco-Moçambicano e abrir, através do acesso aos livros em língua francesa, uma nova janela para a cultura universal.
Em segundo lugar, ela vai permitir responder aos pedidos e necessidades de numerosas instituições moçambicanas envolvidas na aventura que constitui a difusão do francês: penso particularmente nos Ministérios da Educação e da Cultura nas Universidades Eduardo Mondlane e Pedagógica, Instituto de Línguas, mas também, em todas as escolas que participam da aprendizagem do francês.
Em terceiro lugar, ela vai também constituir um meio posto à disposição dos 450 professores de francês, dos 250.000 alunos de francês, dos 100.000 moçambicanos francófonos e de todos os expatriados que praticam a língua de Molière. Mais do que uma simples necessidade, está neles, uma vontade autêntica de se confrontar ao universo de escritores francófonos.
Para além disso, ela vai ser a ocasião de criação de um espaço de debate literário ao acolher escritores de língua francesa como a Senhora Khadi HANE, escritora senegalesa, que está entre nós esta noite e a quem agradeço pela sua presença. Ela vem apresentar-nos o seu ultimo opus, “Formigas na boca”, retrato de uma maliana confrontada com as tradições.
Por fim, graças às revistas francesas que serão propostas nas prateleiras, esta nova livraria permitirá a todos os que se interessam pelo mundo de hoje, acompanhar os assuntos do mundo através do olhar dos periódicos franceses.
Senhor Ministro,
Esta livraria corresponde a uma aspiração profunda dos apaixonados da língua francesa e facilitará a promoção dos autores moçambicanos na arena internacional pela tradução das suas obras para a língua francesa.
Ao permitir o acesso às diversas culturas dos países francófonos, ela reforçará a ancoragem de Moçambique na Organização Internacional da Francofonia e desenvolverá os laços culturais entre Moçambique e o conjunto dos países de língua francesa.
Viva a livraria de língua francesa Minerva.
Viva o Centro Cultural Franco-Moçambicano.
Obrigado.

Dernière modification : 28/10/2011

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