Conferência de imprensa conjunta de Alain Juppé e representantes da oposição síria

Senhoras e Senhores jornalistas,

Eu acabo de receber vários representantes da sociedade civil Síria, mulheres, resistentes originárias de diferentes comunidades da Síria e eu gostaria de agradecer por terem aceite receber-me. Eu gostaria sobretudo de ouvi-los para que elas me transmitam os seus testemunhos sobre o que elas sabem sobre a rua Síria e sobre a situação actual neste país. Eu gostaria de saudar a sua coragem e a coragem do povo Sírio no seu todo que continua à bater-se contra um regime que pratica uma repressão sempre tão brutal e sangrenta .

Eu expliquei o que a França havia tentado fazer até ao presente e eu tomei nota das sua expectativas. Eu disse-lhes que nós estávamos preparados para continuar à acompanha-los, sobretudo, para permitir à oposição síria de federar-se , de se estruturar e passar as suas mensagens
Em que ponto nos encontramos hoje ?
Eu tive a oportunidade de me encontrar, mesmo antes deste encontro com o senhor Kofi Annan. Nós consideramos que a situação no terreno é inaceitável. O regime de Damas não respeita os compromissos que este firmou. A repressão continua e as minhas interlocutoras confirmaram que o numero de mortos não cessava de aumentar e que os raros observadores que estão no terrenos não podem realizar a sua missão.
Segundo algumas informações que nós não verificamos totalmente, existem casos de militantes que se encontraram com os observadores das nações unidas e que foram de seguida executados pelo regime. A situação é , portanto, extremamente preocupante. E isso não pode durar indefinidamente. É por esta razão que eu indiquei ao Senhor Kofi Annan que nós desejaríamos, pedimos, exigimos que observadores, em numero suficiente, pelo menos 300, dotados de equipamentos necessários , com uma liberdade de ir e vir à todos os lugares onde estes desejam, no território sírio, possam desdobrar-se muito rapidamente, dentro dos próximos 15 dias.
O Senhor Kofi Annan deve fazer, quinze dias após a entrada em vigor da resolução 2043, um relatório ao conselho de segurança, eu creio que isso será no dia 5 de Maio, mas para nós será neste momento, o momento da verdade. Ou esta mediação fonctiona, ou então ela não fonctiona. E se ela não funciona, não podemos continuar à deixar-nos desafiar pelo regime em vigor que não respeita nenhum dos seis compromissos que ele firmou no âmbito do plano de Kofi Annan.
Seria necessário, então, nesse momento, passar à uma outra etapa que nós já iniciamos com os nossos parceiros, sob o capito 7 da carta das nações unidas, para darmos um novo passo na interrupção desta tragédia que continua à perpetuar-se na Síria .
Eu assegurei às minhas interlocutoras do apoio da França e o nosso desejo de continuar à trabalhar com elas para manifestar a nossa solidariedade. Eu penso também na dimensão humanitária da ajuda que é absolutamente necessária. Eu havia lançado, há vários meses, a ideia de corredores humanitários, eu vejo que ela é retomada aqui e acolá, sem se concretizar. Nós vamos continuar à trabalhar neste assunto, eventualmente , no quadro desta nove resolução que eu evoquei, há bem pouco tempo. Nós avaliamos bem que uma resolução no âmbito do capitulo 7 chocaria, no estado actual das coisas, com o veto de algum membro permanente do conselho de segurança, mais uma razão para continuar à fazer o nosso trabalho de explicação e concertação com os nossos parceiros.

Q – Senhor ministro, os Sírios atribuíram-se um veto sobre a nacionalidade dos observadores que seriam desdobrados na Síria. Será que isso foi previsto? Qual é o seu comentário a respeito disso ?Paralelamente será que a França vai propor o envio de alguns dos observadores ? Finalmente, será que hoje podemos considerar que o plano Annan está morto ? obrigado.

R – Sobre este ponto, a minha resposta é será não. Ele está fortemente comprometido, as coisas não se passam bem, eu acabei de dizer. Damas não respeita os compromissos que ele firmou sobre os seis pontos do plano Annan, incluindo sobre o primeiro de entre eles , ou seja o cessar-fogo efectivo. Nós pensamos que existe ainda uma chance a dar à esta mediação, à condição, eu repito, que o desdobramento de uma força suficiente de observadores, seja feito rapidamente.. E, eu direi ao senhor Ban Ki-moon , à quem eu desejo telefonar nas próximas horas, é preciso que o secretario geral das nações unidas esteja em altura de desdobrar, não dentro de três meses, mas dentro de uma quinzena, observadores suficientemente numerosos. A resolução 2043 evoca o numero de 300 que devem ter os materiais necessários, e uma faculdade de ir e vir com toda a liberdade sem serem prisioneiros do regime em vigor. Portanto, existe ainda uma chance que nós damos à negociação.
No que concerne ao veto do governo sírio vis-à-vis de algum contingente nacional, é evidentemente inaceitável. São estes contingentes nacionais que irão à Síria, são capacetes azuis e portanto observadores sob a responsabilidade das nações unidas. Não diz respeito ao regime sírio a escolha de entre as possibilidades que as nações unidas poderão identificar. No que concerne a França, ela estará disponível, em função do que será pedido pelo secretario geral das nações unidas. Aqui está tudo que eu posso dizer-lhe sobre este aspecto das coisas, e se neste período que eu indiquei constate-se que a missão é um fiasco, será necessário identificar as consequências e eu indiquei as pistas sobre as quais nós trabalhamos.

Q – Senhor ministro, você evocou a possibilidade de uma resolução sob o capitulo 7, as condições são um pouco mais favoráveis e será que a Rússia estaria mais disposta à votar ?

R – A Rússia aceitou a resolução que serve de base para esta missão Kofi Annan, ela aceitou a introdução de uma missão de observadores , eu disse o que eu pensava desta missão, eu disse que havia ainda um espaço para verificar que ela possa funcionar. Eu espero que os nossos parceiros russos farão como nós, o balanço desta missão de observações, eles poderão não constatar que é o regime que bloqueia a implementação do plano de Kofi Annan, e portanto nós vamos continuar à discutir com os nossos parceiros russos à luz do que se passa no terreno e que é hoje, eu creio, bastante incontestável.
Não podemos continuar à dizer que o regime é vitima de ataques terroristas, é um desafio à realidade e ao bom senso. É o regime que reprime os movimentos que tentam defender-se como eles podem.

Q – Existem responsáveis militares da oposição síria em Paris, voce confirma ? E nós ouvimos hoje, falar de instalação em Paris, de um governo transitório sírio, isso é exacto?

R – Eu não tenho informações que me permitam responder a sua questão. Aqui está tudo o que eu gostaria de vos redizer, Minhas senhoras e meus senhores, nosso apoio e a nossa admiração pelo combate que vocês travam.

Obrigado.

Dernière modification : 27/04/2012

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